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Cuidados com a higiene bucal para doentes de Alzheimer

Cuidados com a higiene bucal para doentes de Alzheimer

São tantos os cuidados necessários para tratar um doente de Alzheimer que muitas vezes nos esquecemos de coisas básicas, como manter uma boa higiene bucal. Mas apesar de parecer simples, esse cuidado é essencial para a saúde do idoso.

Autora do livro “Alzheimer na Clínica Odontológica”, a Dra. Denise Tibério possui mais de 20 anos de experiência em odontogeriatria especializada em pacientes com Alzheimer.

Seu interesse em se aprofundar nos estudos sobre doenças crônicas a levou a fazer especialização em  Geriatria e Gerontologia, onde percebeu a necessidade de um tratamento especial para idosos, como o atendimento odontológico domiciliar.

Voltado para cuidadores, familiares e dentistas que queiram conhecer mais sobre a ondontogeriatria, o livro “Alzheimer na Clínica Odontológica” está disponível nas melhores livrarias do país.

Confira a entrevista que o CONAZ realizou com a Dr. Denise:

  1. O que a motivou a escrever o livro “Alzheimer na clínica odontológica”?

Dra. Denise Tibério:  Atuo com doentes de Alzheimer há 20 anos, fui autodidata.

Os idosos do nosso país estão envelhecendo sem perder os dentes – fruto de ações preventivas anteriormente realizadas. Mas, apesar de ser uma boa notícia, a permanência dos dentes requer atenção ainda mais especial do idoso. Esse cuidado com a higiene bucal na terceira idade foi o motivo pelo qual quis trazer minha experiência para que novos profissionais também abracem essa causa.

  1.    Qual a diferença da odontogeriatria voltada para idosos que possuem Alzheimer para a odontologia convencional?

DT: A odontogeriatria é uma especialidade da odontologia que visa atender idosos. O preço do envelhecimento é a instalação de doenças crônicas degenerativas. Essas doenças possuem evolução lenta, progressiva e muitas vezes levam a um comprometimento físico e cognitivo.

O controle dessas doenças acontece através de medicamentos que muitas vezes refletem na cavidade bucal ou podem interagir com os medicamentos de uso na clinica odontológica.

Concomitante com essas situações, o doente de Alzheimer necessita de uma abordagem especifica nas diferentes fases em que a doença se encontra.

  1.    Qual a maior desafio de trabalhar com odontogeriatria?

DT: O maior desafio é a mudança na cultura do idoso, pois existe um mito que o envelhecimento leva a perda dos dentes e que a prevenção não é importante.

Outro grande desafio é a valorização da saúde bucal , pois as doenças da boca aumentam o risco de doenças cardíacas,  alteram o diabetes, doenças reumatoides e doenças gastrointestinais. Em 2014 uma revista cientifica levantou a hipótese da doença periodontal ser um  fator de risco para doença de Alzheimer

Isso é preocupante, pois se teremos uma população idosa dentada (com dentes)… será que não estamos no momento de investir na prevenção?

  1.    Você acha que os consultórios odontológicos estão preparados para atender pacientes com demência?

DT: Penso que os dentistas e  e as equipes que atuam nos consultórios devem ser treinadas para este atendimento, para que possam cada vez se tornarem aptos a cuidar adequadamente de pacientes com a Doença de Alzheimer.

  1.    Todo mundo sabe que cuidar da saúde bucal é essencial, não importa a idade! Quais os cuidados extras que os idosos com Alzheimer precisam ter com a higiene bucal?

DT: Os idosos com Alzheimer, em algumas fases da doença, não sabem exteriorizar o desconforto que sentem. Assim,  muitas vezes se tornam agressivos, rejeitam alimentos  e mudam seu comportamento, o que pode dificultar o convívio e aproximação do cuidador.

É preciso que o cuidador trabalhe a forma de abordar o idoso, além de estabelecer um planejamento odontológico, utilizando escovas adequadas, dentifrícios (cremes dentais), enxaguatórios e colutórios (enxaguante bucal). Temos que ter em mente que o Alzheimer é uma doença progressiva e o idoso terá um comprometimento físico e cognitivo cada vez maior.

  1.    Quando um familiar ou cuidador deve levar o doente de Alzheimer ao dentista? Quais são os primeiros sintomas que os familiares devem ficar atentos?

DT: O primeiro sintoma é o esquecimento, muitas vezes confundido com o envelhecimento normal.  Os familiares não percebem essas alterações e quando procuram o profissional a doença já avançou.

Um programa de prevenção deve ser feito no doente de Alzheimer a cada três meses, pois a placa bacteriana se torna mais agressiva quando acumulada na superfície dos dentes e língua.

  1.    O Alzheimer pode influenciar no aparecimento de alguma doença relacionada à má higiene bucal?

DT: Em fase avançada isso acontece, pois o curso da doença torna os idosos totalmente dependentes.

Em fases inicias e intermediárias, o doente pode se negar a fazer a higiene adequada e não permitir o acesso de cuidadores, daí a importância de dentifrícios (cremes dentais) específicos.

  1.    Como funciona o tratamento em pacientes com Alzheimer? O que muda em relação aos idosos que não possuem a doença?

DT: Os medicamentos tomados por qualquer pessoa que possua uma doença crônica, como o Alzheimer,  influenciam na escolha do anestésico local de uso odontológico. Assim como antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios da clinica odontológica.

Devemos também abordar a xerostomia, sensação de boca seca, decorrente do uso de muitos medicamentos. Tendo em vista que a além do desconforto a xerostomia também aumenta o risco de cárie e doença periodontal.

Os dentistas devem se preocupar em selecionar material restaurador que retenha menor quantidade de placa bacteriana.

  1.    Quais as dicas você pode dar para que os familiares de pessoas que possuem Alzheimer possam cuidar melhor da saúde bucal deles?

DT: Os idosos devem fazer visitas periódicas a clínicas de odontogeriatria. Muitas possuem questionários validados mundialmente,  que podem sugerir o aparecimento da demência.

Há de se esclarecer que existe demência transitória. Por exemplo , infecções levam a demências transitórias. Quando tratadas, o idoso sai do quadro de demência.

Um programa de prevenção é importante, pois o acompanhamento e a orientação sobre diferentes escovas dentais, dentifrícios, enxaguatórios, colutórios, à medida em que a doença avança, é imprescindível para a dignidade o do doente.

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